Vinil: o material clássico
O vinil (PVC) é o material mais associado ao toy art desde suas origens em Hong Kong. Sua maleabilidade permite a criação de formas arredondadas e orgânicas, e sua superfície lisa aceita pintura com tinta acrílica, esmalte e aerógrafo com alta precisão. As figuras de vinil são produzidas por injeção em moldes metálicos — um processo industrial que, paradoxalmente, resulta em objetos únicos quando pintados à mão por artistas.
A maioria das figuras de vinil é produzida em fábricas na China, onde o custo de produção é mais acessível. Artistas independentes frequentemente encomendam blanks — figuras sem pintura — e as personalizam em seus ateliês, criando edições únicas ou em pequenas séries.
Resina: precisão e detalhe
A resina de poliuretano é muito utilizada por artistas que produzem em pequenas tiragens ou peças únicas. Ela permite capturar detalhes extremamente finos e pode ser pigmentada antes da cura, criando efeitos de translucidez e profundidade de cor impossíveis com o vinil. O processo de moldagem em resina é mais artesanal: o artista cria um molde de silicone a partir de um protótipo esculpido em argila ou cera, e então despeja a resina líquida no molde.
Muitos artistas brasileiros preferem a resina pela autonomia que ela oferece: é possível produzir peças inteiramente no ateliê, sem depender de fábricas externas. Isso resulta em obras com tiragens muito limitadas — às vezes de apenas uma ou duas unidades — o que aumenta seu valor artístico e de colecionismo.
Cerâmica e argila
A cerâmica traz ao toy art uma conexão com tradições artesanais milenares. Artistas que trabalham com argila modelam cada peça à mão, tornando cada figura genuinamente única. Após a modelagem, as peças passam por secagem, queima em forno e esmaltação, podendo receber pinturas com tintas cerâmicas ou esmaltes vitrificados.
No contexto brasileiro, a cerâmica dialoga com a tradição das figuras de barro nordestinas — especialmente as do Vale do Jequitinhonha e do Mestre Vitalino — criando um híbrido fascinante entre o toy art contemporâneo e o artesanato popular.
Tecido, costura e materiais alternativos
Alguns artistas exploram o toy art em tecido — figuras de pelúcia, bonecas costuradas à mão, personagens em feltro. Esse universo, muitas vezes associado ao amigurumi japonês, ganha dimensão artística quando trabalhado com intenção conceitual e estética própria.
Além desses materiais principais, o toy art contemporâneo experimenta com madeira entalhada, metal fundido, papel maché, impressão 3D e até materiais reciclados. A diversidade de técnicas reflete a liberdade criativa que define o movimento: não há regras sobre o que pode ou não ser um toy art — apenas a intenção artística e a forma reconhecível do brinquedo como ponto de partida.